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quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Gervásio, o Taberneiro

O fim de tarde estava a ser como tantos outros. Gervásio, estava a aviar mais um copo de tinto "até rasar" ao Leonildo. Antes, já os Marretas da Rua de Cima F.C. tinha levado mais uma abada daquelas antigas.

Sempre que os Marretas jogavam, era a mesma coisa. Fosse com o Carrapicheira, com o Segodim ou mesmo com o Troilaró o resultado nunca variava: 15 a 0. Aquilo era uma equipa de futebol em que o futebol ficava-se só pelo nome. Vejam bem, que esta semana o Tozé até ia totalmente engasolinado para o jogo. Na noite antes tinha sido visto a rondar o Pantanal, um boteco lá da terra.

Mas aquela tarde estava estranha. Já por três vezes lhe tinham vindo comprar isqueiros, ao que ele dizia que deviam de estar maluquinhos e lá descartava mais uma carteirinha de fósforos "quinas" e nem podiam dizer a ninguém que iam dali. Passado pouco tempo, também Leonildo se levante e corre com o bando ao alto.

Espantado, Gervásio sai do café. Ao fundo da rua, via-se Capitolino ...

E numa tarde solarenga, vislumbra-se ao fundo...

Desaparecido desde os jogos Olimpicos de Pequim, Capitolino, ou Pitó para os amigos, é vislumbrado ao fundo da rua.
Por causa da quantidade de merdunfa e sujidade acumulada ao longo dos ultimos meses, poucos eram aqueles que conseguiam descobrir que se tratava de Pitó. Nem os cães se aproximavam, e foi essa a sorte do Pitacho, na sua longa viagem, Pequim - Alcantarilha-de-baixo.
Como bom português que é, perdeu tudo o que tinha (já era pouco) e teve de se desenrascar para voltar a casa. Na altura em que deus estava a distribuir inteligência, Pitacho andava a caçar borboletas e, pode-se dizer que, é pouco abonado nesse aspecto (nesse e noutros, mas não vamos ajavardar a conversa). O que eu ia a dizer, e já me perdi, é que Pitacho veio a pé da China para cá.
Demorou, mas chegou!

Fizeram-lhe uma festa quando descobriram que ele tinha chegado. Desde archotes a correntes e cordas para forca, houve de tudo! Pitó estava feliz por ninguém se ter esquecido dele e nem se lembrou que devia dinheiro a meia rua (a outra metade não lhe tinha emprestado por já saber que era a fundo perdido).

Já com a corda ao pescoço, Pitó, começa a contar como fora a viagem e, tal como o flautista de pã (o do conto), amansa as feras e capta toda a sua atenção. Sentadinhos no chão aguardam agora que Pitó lhes conte como correu tudo.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Capitolino Pitacho, a lenda

Jovem nascido e criado em parte incerta, desde cedo tentou seguir as pegadas do seu maior ídolo, Leonardo Barra. Leonardo Barra foi o primeiro jogador de futebol, se é que se pode chamar isso a um gajo que só tem meio pé esquerdo (e olhem que era destro), a sair da santa terrinha para poder jogar num qualquer campeonato abaixo do Inatel.
Mas, deixemos o Leo para trás pois esta história é sobre Capitolino Pitacho. O astro que não nasceu para o futebol!

Desenganem-se aqueles que pensam que Capitolino foi renegado para o banco por um qualquer treinador casmurro, ou que sofreu uma lesão grave no decorrer da sua carreira. Capitolino não nasceu para o futebol porque nunca jogou futebol… Os poucos toques que ele deu numa bola, foram para as colocar na prateleira da vitrina lá do café da Rosa, junto aos folhados e pastéis de nata.

Capitolino, nunca viria a saber que lhe estava a escapar uma carreira por entre os dedos, pois, faltava-lhe uma mão. Mão essa que havia sido perdida num episódio muito triste e que será recordado em momentos menos oportunos e sempre que for necessário recorrer à piada fácil.

Nasce assim a lenda de Pitacho. O homem que podia ter descoberto que os ângulos de um quadrado são todos iguais não fosse a falta de jeito para o futebol.