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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Confia em Mim - Jeff Abbott.

Comecei a ler Jeff Abbott na minha lua-de-mel. Nada me aparece mais apropriado para levar para uma lua-de-mel que um livro chamado "Pânico", especialmente se a acompanhar também tivermos levado outro chamado "Juízo Final", como foi o caso.

"Pânico" foi um livro que gostei (andava em todos os escaparates na altura), mas a partir daí o Sr. Jeff perdeu-se um bocadinho com "Medo" e especialmente com "Colisão", livros dos quais não gostei tanto, mas agora recuperou a forma com este último.

Realmente no que toca à escrita de suspense, os américas ainda vão dando cartas. Aqui Luke Dantry vê-se envolvido no mundo do terrorismo e é obrigado a lutar pela vida, numa sucessão de peripécias que se desenrolam a uma velocidade alucinante.

Pensando que toda a acção se foca num miúdo de 24 anos, a opção de lutar sozinho contra uma rede internacional de terrorismo é absurda, mas as situações não são nada ridículas, especialmente quando comparadas com o "Priorado do Cifrão", e vão surgindo de forma fluída e pouco forçada.

Luke acaba por ir descobrindo a verdade sobre a sua família, e aprendendo que não pode confiar em ninguém e que, sem saber, tinha ajudado a seleccionar membros terroristas por todo o país.

Depois de muitos tiros, explosões, perseguições e atentados, tal como é habitual nestes livros, acaba tudo em bem. Dito assim soa a vulgaridade, mas atendendo a que não fala em vampiros nem em escândalos da Igreja, está um livro muito bem conseguido.

Jeff Abbott de volta ao seu nível habitual. Enquanto for escrevendo desta forma, vou continuando a comprar a sua escrita.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

O Priorado do Cifrão - João Aguiar

41% de desconto sobre o preço de editor foram música para os meus ouvidos. 384 páginas por menos de 10 aéreos só podiam significar uma de duas coisas, ou uma grande pechincha, ou uma grande barraca. Nem foi uma coisa, nem outra.

O Priorado do Cifrão acaba por ser uma paródia ao ambiente envolvente ao lançamento do livro "O Código Da Vinci" de Dan Brown. Não é um livro cómico, o autor fez mesmo um thriller policial à portuguesa.

Miguel Souto Campos é o herói da história, trabalha na editora responsável pelo best seller internacional "Os Documentos de Caravaggio", que mereceu mesmo uma reprimenda pública do Vaticano, sendo esse o grande impulsionador das suas vendas. Como já disse, esta acção foi mesmo escrita à portuguesa, muitos acontecimentos não têm a mínima lógica, nem as reacções do personagem principal são propriamente credíveis. Para além disso alguma da discrição e alguns personagens nada acrescentam ao desenrolar da acção e podiam perfeitamente ser omitidos.

Ao ritmo das mortes, Miguel Souto Campos vai descobrindo uma trama mundial duma organização que planeia dominar o mundo, controlando a sua economia e manipulando grupos religiosos e políticos.

Pessoalmente acho que o autor demorou muito a encontrar o rumo à história, e quando parecia tê-lo feito, lá deu mais uma volta que baralhou tudo.

Por muito que seja uma obra de ficção, há muitas coisas que podem perfeitamente ser englobadas na realidade, até porque o livro acaba por não nos agarrar à leitura, vamos lendo a ritmo comum, sem vontade de estar mais um bocadinho a ler.

Não é comum encontrar um autor português a tentar escrever este tipo de história, e só por isso não digo que é um livro de inutilidade extrema. Vale por ter autor português, e até ser moderadamente entretido. Em obras deste género, acho que continuamos a anos luz dos originais norte-americanos, mesmo usando um léxico e uma escrita muito mais desenvolvida.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Em Território Pirata - Michael Crichton...

... ou a história de um dos meus muitos actos falhados.

Comprei este livro numa promoção manhosa. 10€ e ainda oferece um baralho de cartas, porreiro. Ainda para mais o nome do autor não me era desconhecido, muito pelo contrário, depois é que percebi que era por ser o criador do Serviço de Urgências e do Parque Jurássico.

Em Território Pirata foi um livro descoberto, e consequentemente publicado postumamente, e acho que só essa razão terá compensado a sua publicação. Agora também percebo o porquê da oferta do baralho de cartas, foi para o livro vir embalado, e não termos a hipótese de o desfolhar e ler umas passagens.

Assim de relance, a acção decorre nas Caraíbas, em 1665 no tempo em que os piratas eram bandidos, excepto se trabalhassem para a Coroa, aí já seriam pomposamente tratados por Corsários.

A história gira em torno das desventuras de Charles Hunter, o capitão duma embarcação ao serviço, off the record, da Coroa Inglesa que procura roubar um galeão do tesouro Espanhol ancorado numa poderosa fortificação Espanhola.

Como seria de esperar, há muitas peripécias, contratempos, tempestades, batalhas navais, fugas esplendorosas, missões impossíveis e donzelas em apuros. O livro é entretido, e a aventura decorre a bom ritmo. Lê-se de um travo, sem ser nada maçador, mas também sem trazer nenhuma novidade.

Pessoalmente não gostei propriamente do livro, mas dado o facto de não ser maçador, também não foi propriamente tempo perdido.

Se gostam do género de aventura, acho que conseguem melhor literatura, e sem ser escrita de forma tão juvenil.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O OITO - Katherine Neville

Olá salsichinhas frescas, acabadinhas de grelhar!

Hoje deu-me para isto, lavar a cara. O pessoal não escrevia nada com azul, talvez por sermos todos benfiquistas, a ver se assim resulta.

Nada melhor para inaugurar um template maricas, que uma coisa de maricas, um livro. Atenção, não é uma revista de carros, mulheres nuas, ou mesmo o jornal "A Bola", falo mesmo de livros, com muitas letras e páginas. Os outros dois nunca vão conseguir perceber o que é, mas eu tiro uma fotografia a um e mostro-lhes, não se preocupem.

Passo a vida a ler, especialmente na casa-de-banho, onde nunca faltam livros. Por essa razão, acaba sempre por ser a prenda que levo nas orelhas. Quando acabo de ler um, por norma já tenho uns quantos em lista de espera, e raramente consigo não ter nenhum por ler, porque há alturas em que gostaria de reler um ou outro, mas como tenho sempre literatura nova, não o faço.

Pensei eu, quiçá num devaneio de loucura, que podia falar alguma coisa sobre o que vou lendo, não que vos interesse, mas sempre é um post novo, para voltar a meter este blog no topo das vossas páginas.

Sei que escrevo muito mal, mas vamos lá a isso.

Uma das últimas ofertas da minha Ana, foi este livro, O Oito. Quer pela capa, quer pelo título, quer pela sinopse, quer pelo facto de ainda não estar numa promoção manhosa, dificilmente seria um livro que comprava, no entanto tenho que admitir que é um livro que cumpre a função a que se propõem duma forma bastante engraçada.

Escrito em 1988, foi talvez um dos primeiros livros que tentou reproduzir o Romance/thriller/histórico a aparecer. A autora divide a acção em dois espaços e tempos, conta a história no passado, com uma das heroínas (Mireille) a viver a sua acção durante a revolução francesa, e a história no presente com a heroína actual, Catherine Velis, a percorrer alguns passos que Mireille andou no passado. Ambas as acções podiam ter sido escritas em volumes diferentes, com uma a ser a continuação da outra, mas admito que o encadeamento dado pela autora é muito interessante, e até me parece ter sido este o facto principal pela graça do livro em si.

Resumidamente é associado um poderoso tabuleiro de xadrez a uma fórmula que poderá desequilibrar os jogos de poder mundiais. A acção, quer no passado, quer no presente é dividida em duas equipas, uma representando o bem, outra o mal, que vão passando por peripécias, mais ou menos entusiasmantes para salvar ou obter as peças do jogo.

Curiosas as referências históricas, que embora não tenham a pretensão de ser realistas, como é comum no tempo actual, não deixam de tentar passar a imagem da forma como algumas pessoas chegaram ao poder, e como se podem ter relacionado entre elas e com o Xadrez.

Em termos de acção, como já disse antes, procura manter o leitor preso ao livro, com cada um dos capítulos contendo um momento emocionante. Nessa parte, e usando um escritor conhecido, não é tão eficaz como Dan Brown, mas a sua escrita apresenta-se num nível muito superior, sem ter de recorrer a clichés ou a descrições mirabolantes para segurar o leitor.

A forma como acaba, embora não seja uma surpresa imensa, não deixa de ser interessante. Quando acabei de ler pensei que podia claramente haver uma continuação, e eis que vejo hoje a continuação na Bertrand, O Fogo. Espero lê-lo em breve, mas já tenho dois moços em espera.

O Oito foi um livro que me surpreendeu pela positiva, especialmente pela escrita da autora, e por me parecer muito mais interessante que os livros do género escritos na actualidade, mesmo sendo um dos seus percursores.

Se gostam do género, gostam de ler e não sabem o que comprar, talvez possam dar uma oportunidade a este menino.