- PEDRO, PEDRO, VOU-ME SENTAR OK?
- VAIS AONDE?
- ESQUECE.
Por vezes sinto que escolhi o grupo de amigos errado na escola. Eu que sempre fui um tipo calmo tive que arranjar estes 2 Fred Astair da Madragoa para meus amigos e confidentes. Era vê-los na pista ao som dos Human League e a beberem cerveja a uma velocidade estonteante. Nunca se negam a ajudar-me quando preciso mas, por vezes, é dificil acompanha-los.
- Então meu?? Não vais dançar?
- Dançar?? Se houvesse espaço até ia, assim prefiro ver de longe.
- Então mas assim é que é bom, roças-te por elas e nínguém sabe quem foi.
- Obrigado por me elucidares acerca de técnicas de engate foleiras e inconsequentes, Carlos.
- João, a sério, estás a ficar um chato. Esquece a Andreia e o que ficou para trás, aproveita man.
- Não tem nada a ver com a Andreia, quantas vezes já me viste a dançar feito maluco nas discotecas?
- Então vieste porquê??
- Não sei, porque não queria ficar em casa.
- Olha, sabes que mais, podes ficar aí com as tuas indecisões, que eu já estou a dever tempo precioso á pista.
Zumm... E lá foi ele pisar mais uns quantos.
O meu conceito de estar numa discoteca não passa por olhar fixamente para um copo de rum com cola, meio vazio (ou cheio), mas naquele momento era mesmo o que estava a acontecer, para minha completa frustração. De vez em quando levantava a cabeça para ver se havia algo de interessante à volta, mas as primeiras vezes que o fiz não mudaram em nada o cenário.
Até que, como se de um flash se tratasse, avistei algo que me prendeu a atenção, tenho a certeza que se estivesse aos pulos na pista nunca a teria visto, e isso já me tinha deixado orgulhoso da minha atitude passiva perante a dança, tinha estatura média, diria que pouco mais baixa que eu, olhos verdes mas com as luzes da discoteca não tinha a certeza (carecia de confirmação) cabelo preto, nem muito magra, nem muito forte, tinha a pele muito branca e o seu olhar apesar de timido era, realmente, muito bonito.
Por mais alguns momentos fiquei a olhar para aquele ser fantástico que parecia meio perdido, como que á procura de algo ou de alguém. Seria do namorado? Não pude pensar muito nisso porque entretanto entornei a cuba libre toda nas calças, depois de algumas sacudidelas que não ajudaram em nada, levantei novamente a cabeça e já não vi a menina de pele branca que me tinha fascinado...
Continua..
Mostrar mensagens com a etiqueta fraccionamentos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta fraccionamentos. Mostrar todas as mensagens
segunda-feira, 14 de julho de 2008
domingo, 16 de março de 2008
O Templo III
- Já tou a ver o Carlos, apanha uma piela e depois quem tem de o aturar somos nós.
- Nahh, ele já anda bem mais calmo desde aquela vez que vomitou á frente das amigas da namorada. Nunca mais bebeu até esse ponto.
- Ainda namora, ele? Quem diria.
- As mulheres mudam os homens meu caro... nem sempre para melhor. Olha tu! Há quanto tempo não saías de casa para uma noitada?
- Isso não é verdade, ainda no outro dia fomos aquele bar no chiado. Nao te lembras?
- Às onze foste para casa, chamas a isso noitada?
- Bem, isso não interessa, pr'agora... Ainda falta muito para chegar á discoteca?
- Está quase, mais 5 minutos estamos lá.
Nessa tarde, quando sai da esplanada, fui até ao templo. Precisava de reflectir nas coisas que realmente me consumiam. Naquilo que a minha vida precisava para andar em frente, sem que aquela sensação do estar tudo bem, mas que na verdade me inquietava no corpo e na alma, me perseguisse desde o primeiro ao ultimo minuto do meu dia.
Naquele momento sentia-me como se a minha vida navegasse num mar de àguas turvas, o sabor frustante de não saber a causa de tudo deixava-me cada mais impotente e mais inseguro nos meus actos.
Quando saí do templo notei que, o local, estava diferente mas, como na minha vida nada fazia sentido, nao dei importância a esse facto. Mais tarde associei esse momento a tudo o que se iria passar nas proximas horas.
Continua na IV Parte....
- Nahh, ele já anda bem mais calmo desde aquela vez que vomitou á frente das amigas da namorada. Nunca mais bebeu até esse ponto.
- Ainda namora, ele? Quem diria.
- As mulheres mudam os homens meu caro... nem sempre para melhor. Olha tu! Há quanto tempo não saías de casa para uma noitada?
- Isso não é verdade, ainda no outro dia fomos aquele bar no chiado. Nao te lembras?
- Às onze foste para casa, chamas a isso noitada?
- Bem, isso não interessa, pr'agora... Ainda falta muito para chegar á discoteca?
- Está quase, mais 5 minutos estamos lá.
Nessa tarde, quando sai da esplanada, fui até ao templo. Precisava de reflectir nas coisas que realmente me consumiam. Naquilo que a minha vida precisava para andar em frente, sem que aquela sensação do estar tudo bem, mas que na verdade me inquietava no corpo e na alma, me perseguisse desde o primeiro ao ultimo minuto do meu dia.
Naquele momento sentia-me como se a minha vida navegasse num mar de àguas turvas, o sabor frustante de não saber a causa de tudo deixava-me cada mais impotente e mais inseguro nos meus actos.
Quando saí do templo notei que, o local, estava diferente mas, como na minha vida nada fazia sentido, nao dei importância a esse facto. Mais tarde associei esse momento a tudo o que se iria passar nas proximas horas.
Continua na IV Parte....
sexta-feira, 12 de outubro de 2007
O Templo II
Dia 24, manhã radiosa, depois de ter reflectido bem na noite anterior, resolvi começar um novo ciclo na minha vida, é claro que a minha relação com a Andreia (ex namorada) nunca foi muito arrebatadora, mas tinha alguma influência no meu dia a dia, portanto, estava decidido a mudar todas as minhas rotinas dali para a frente, apetecia-me fazer coisas que normalmente não fazia, não por fazerem parte do meu imaginário, apenas pelo simples facto de serem diferentes.
- Bem, tás com uma cara hoje que eu nem te digo nada!
- Ei ei, fala mais baixo joão a sério, acho que ontem abusei um bocado na cerveja.
- Pois, bem me parecia, nunca foste menino de aguentar a bebida, secalhar devias acalmar por uns dias não?(risos)
- Acalmar? Isso é palavra que não existe no meu dicionário, aliás já tenho convite para a inauguração de uma nova disco ali
para os lados do guincho, queres ir? Ah, espera, tu não frequentas esse tipo de locais já sei.
- Olha que por acaso até sou capaz de aceitar, sabes que...a Andreia acabou comigo.
- Quê??? A sério? Bem, dessa não tava mesmo á espera. Mas o que se passou ao certo?
- Bem, ela pediu me para ir ter com ela ontem e..(...)
- Não sei o que dizer, mas olha, isso é mais um motivo para ires hoje comigo e com o carlos á inauguração da tal discoteca.
- Tá bem, a que horas?
- Saímos de Lisboa ás 22H, parece-te bem?
- Vai-me buscar então por essa hora, tenho que que ir andando, até logo.
- Até logo, e olha, não gastes muitas energias durante a tarde, vais precisar delas á noite.(gargalhada)
3ª parte em breve....
- Bem, tás com uma cara hoje que eu nem te digo nada!
- Ei ei, fala mais baixo joão a sério, acho que ontem abusei um bocado na cerveja.
- Pois, bem me parecia, nunca foste menino de aguentar a bebida, secalhar devias acalmar por uns dias não?(risos)
- Acalmar? Isso é palavra que não existe no meu dicionário, aliás já tenho convite para a inauguração de uma nova disco ali
para os lados do guincho, queres ir? Ah, espera, tu não frequentas esse tipo de locais já sei.
- Olha que por acaso até sou capaz de aceitar, sabes que...a Andreia acabou comigo.
- Quê??? A sério? Bem, dessa não tava mesmo á espera. Mas o que se passou ao certo?
- Bem, ela pediu me para ir ter com ela ontem e..(...)
- Não sei o que dizer, mas olha, isso é mais um motivo para ires hoje comigo e com o carlos á inauguração da tal discoteca.
- Tá bem, a que horas?
- Saímos de Lisboa ás 22H, parece-te bem?
- Vai-me buscar então por essa hora, tenho que que ir andando, até logo.
- Até logo, e olha, não gastes muitas energias durante a tarde, vais precisar delas á noite.(gargalhada)
3ª parte em breve....
quarta-feira, 10 de outubro de 2007
O templo
Lisboa, 25 de Novembro de 1984
Nunca fui rapaz de sair muito á noite, sempre gostei mais da calmaria da vida diurna, dos passeios á beira mar com a namorada, dos tempos "mortos" passados com amigos, que na realidade de mortos não tinham nada e, especialmente, dos tempos passados num sítio a que chamei "o templo", um daqueles lugares secretos que usamos quando queremos ficar sozinhos num sítio que não seja o nosso próprio quarto. Querem saber onde é? Humm, não vou dizer, mas, é um local onde o verde predomina e a natureza se une com os blocos de betão que vão sendo edificados pela cidade. Reparem, não é díficil adivinhar onde é, em Lisboa não abundam espaços destes.
No dia 23 a minha namorada decidiu que a nossa relação tinha que acabar, segundo ela as coisas tinham chegado a um ponto insustentável, a uma rotina sofucante, e nada do que eu poderia dizer lhe ia fazer mudar a opinião. O mais engraçado é que ela na altura de acabar, veio com a conversa do "não és tu, sou eu"... espera lá um pouco
minha menina, eu inventei essa frase, nínguém me vem dizer que "não és tu, sou eu", se alguma coisa falhou, podes ter a certeza que fui eu!!!
E pronto, 2 anos de namoro que tinham chegado ao fim, no fundo eu sabia que mais tarde ou mais cedo ia acontecer, mas claro que não pude deixar de ficar triste.
Continua na 2ª parte...em breve.
Nunca fui rapaz de sair muito á noite, sempre gostei mais da calmaria da vida diurna, dos passeios á beira mar com a namorada, dos tempos "mortos" passados com amigos, que na realidade de mortos não tinham nada e, especialmente, dos tempos passados num sítio a que chamei "o templo", um daqueles lugares secretos que usamos quando queremos ficar sozinhos num sítio que não seja o nosso próprio quarto. Querem saber onde é? Humm, não vou dizer, mas, é um local onde o verde predomina e a natureza se une com os blocos de betão que vão sendo edificados pela cidade. Reparem, não é díficil adivinhar onde é, em Lisboa não abundam espaços destes.
No dia 23 a minha namorada decidiu que a nossa relação tinha que acabar, segundo ela as coisas tinham chegado a um ponto insustentável, a uma rotina sofucante, e nada do que eu poderia dizer lhe ia fazer mudar a opinião. O mais engraçado é que ela na altura de acabar, veio com a conversa do "não és tu, sou eu"... espera lá um pouco
minha menina, eu inventei essa frase, nínguém me vem dizer que "não és tu, sou eu", se alguma coisa falhou, podes ter a certeza que fui eu!!!
E pronto, 2 anos de namoro que tinham chegado ao fim, no fundo eu sabia que mais tarde ou mais cedo ia acontecer, mas claro que não pude deixar de ficar triste.
Continua na 2ª parte...em breve.
Subscrever:
Mensagens (Atom)